domingo, 14 de setembro de 2014

Por que comigo? - Parte V

Última parte

           E assim os anos se passaram, embarcamos nós quatro no avião após quatro longos anos de estudo. Todos formados. Júlia e Pedro juntos, e Lucas e eu também e o mais importante, todos felizes por ter passado esses quatro anos juntos. E finalmente eu poderia perguntar a minha mãe o que eu tanto queria. Foram doze horas de viagem, mas acabamos dormindo a viagem toda. Minha mãe estava nos esperando no aeroporto e em seguida todos iriam para minha casa.
           - Que saudade minha filha. – minha mãe veio correndo me abraçar.
           - Senti tanta sua falta – a abracei de volta – E você Clarinha como cresceu! – A abracei forte.
           - Claro né?! - sorriu.
           - Oi meninos – minha mãe olhou para meus amigos e encarou Júlia um tempinho.
           Depois de um tempo ali conversando no aeroporto acabamos seguindo para casa, todos cansados, afinal doze horas não era para qualquer um.
           Assim que chegamos minha mãe mostrou onde cada um iria ficar. Enquanto eles subiam acabei ficando sozinha com a minha mãe na sala.
           - Por que ficou encarando Júlia no aeroporto? – perguntei.
           - Ela me parece familiar. – respondeu.
           - Para de besteira mãe.
           Subi as escadas até o meu quarto, ele estava do mesmo jeitinho que eu havia deixado á quatro anos atrás. Arrumei minhas coisas deixando ali o laço que meu pai havia me dado, havia as iniciais dele ali. R.F me bateu um desespero e uma saudade do mesmo. Tentei esquecer por um tempo e assim que terminei de arrumar segui até o quarto da minha mãe, a mesma estava mexendo em alguns papeis que estavam dentro de uma caixa preta.
           -O que são esses papéis? – perguntei curiosa.
           - Não é nada, não é nada. – disse fechando a caixa com todos os papéis dentro. – Filha você leu aquela carta que seu pai te deixou? – perguntou mudando de assunto.
           - Sim, espera só um minuto. Preciso te falar uma coisa.
           Sai do quarto de minha mãe e entrei no meu pegando em cima da escrivaninha a carta e o laço, passei pelo quarto de Júlia que estava aberto e avistei um laço em seu cabelo idêntico ao meu, olhei fixamente para o laço e as mesmas inicias R.F estavam ali. E naquele momento tudo ficou mais claro. Minha mãe a encarando, em seguida toda aquela papelada em suas mãos. Como eu não havia pensado antes? Clara não se parece tanto comigo assim, e eu sempre achei que fosse apenas uma bobeira minha, uma coisa de momento. Mas Júlia era minha cara, minha fisionomia, era basicamente meu clone.
           Como eu passei vinte e dois anos da minha vida sem ao menos desconfiar? Sem saber de toda a verdade? As lagrimas já tomavam conta de todo o meu rosto naquele momento, já não tinha mais o que dizer ou pensar. Eu não sabia se sorria ou se chorava. Será que o tempo algum dia iria trazer toda verdade ou minha mãe algum dia iria acabar contando toda a verdade? Talvez o tempo mesmo me ajudasse...

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