quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Por que comigo? - Parte IV

          Dei uma olhada no visor do celular, minha mãe. Como eu sentia falta da mesma, e mesmo longe nós não perdíamos o contato.
          - Mãe! – disse atendendo ao telefone.
          - Como está tudo por ai? – perguntou.
          -Estou levando mãe. E como a senhora e a Clarinha estão?
          - Estamos bem. Quando você vem filha? Estamos sentindo sua falta.
          - Daqui três anos mãe, passa rápido.
          - Tudo bem filha. – disse entristecida. – Estou com saudade.
          - Também estou mãe.
          Desliguei o telefone e fui lavar minhas cerejas, sentei no sofá para assistir algum filme. O silencio da casa me irritou por certo tempo até que escutei a campainha tocar e corri para ver quem era.
          - Oi. – Lucas sorriu tímido.
          - Oi Lucas, entre. – o olhei sorrindo.
          - Sente-se. – disse e sentei-me em seguida.
          - Pelo visto gosta de cerejas. – Sorriu olhando meu pote com cerejas. – O laço, esse vestido. – comentou sorrindo.
          - Deu para perceber? – sorri sarcástica.
          - Está a fim de sair hoje? – perguntou.
          - Não. – sorri de lado – Vamos ficar por aqui e assistir algum filme, topa?
          Fizemos pipocas e brigadeiros, e logo estávamos esparramados pelo sofá como duas crianças esperançosas a um desenho novo. Ele não desgrudava os olhos de mim e por um instante eu também não. Fomos nos aproximando até que seu lábio encostou no meu, beijamos.
          - Desculpa! – o mesmo foi até a porta e saiu me deixando ali no mesmo lugar sem mover algum músculo.
          Os dias foram se passando e por incrível que pareça passaram voando. Quando me dei por mim já havia se passado anos. Desde aquele tempo meus sentimentos nunca foram os mesmos.
          E durante todo aquele tempo, andei pensando na carta em que meu pai havia escrito. Talvez por ter passado todo aquele tempo engolindo perguntas e na duvida de cada detalhe prescrito.
          Sentada no sofá um flashback tomou conta de minha mente.
          - Aceita namorar comigo?
          - O que você disse?
          - Aceita?
          - É claro que eu aceito.
          Talvez tenha sido uma das minhas melhores experiencias, ter saído do colo de minha mãe e seguido para outro lugar sozinha, desamparada. E ter encontrado pessoas tão perfeitas.

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