quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Por que comigo? - Parte II

               “Filha, provavelmente quando ler essa carta eu não estarei mais vivo, passei muitos anos como você sabe sofrendo de uma doença sem cura e que poderia me matar a qualquer momento. Como eu gostaria de ver você fazendo faculdade, poder realizar alguma parte de seus sonhos e estar presente quando precisasse de mim. Não tive essa oportunidade, mas sempre estarei te olhando aonde quer que eu esteja. Sempre tive um enorme orgulho de você, se briguei com você foi para te proteger, para te ensinar e hoje espero que reconheça isso. Mas o destino fez assim e não há alguma forma de voltar atrás. Lembro-me bem de sua paixão por cerejas quando pequena. Tenho esse humilde presente para lhe dar dentro desse envelope. Espero que sua mãe tenha lhe contato aquilo... Amarei-te eternamente minha querida filha.” 
                                                                                                                            06 de agosto de 1999.
               A essa altura minhas lagrimas já estavam a rolar sobre minha face, peguei o envelope e o abri para pegar o que tinha para mim ai, um laço de cerejas. Depositei um beijo sobre o laço e o guardei ali em minha escrivaninha. Se passaram tantos anos e eu sentia tanta falta dele a cada dia que passava, era impressionante como o tempo nos fazia lembrar de pessoas que já se foram a muito tempo.
               Só não entendi a parte “Espero que sua mãe tenha lhe contato aquilo...” Contado?! Contado o que?! Ela nunca nem me disse da existência desta carta. Meus pensamentos foram apagados assim que alguém bateu na porta.
- Oi – disse limpando alguma lagrima que restou.
- Desculpa, mas te vi saindo da faculdade hoje pela manhã e vi sua identidade caída no chão, peguei seus dados e seu local para que eu pudesse te encontrar e entregar. – disse uma garota simpática me entregando a identidade.
- Poxa, muito obrigada. – Agradeci percebendo que a mesma era também brasileira. – Percebi que é brasileira, gostaria de entrar e me ajudar em algumas coisas? – perguntei sem jeito.
- Claro, sem problemas. É ótimo encontrar outra brasileira por aqui. – sorriu entrando e se sentando no sofá bege que havia ali na sala.
- Vou fazer faculdade também. – a mesma disse logo entrando em um assunto.
- Psicologia. – respondi seria. – E você vai fazer faculdade de que? – perguntei interessada.
- Odontologia. – respondeu – Enfim, o que precisa de ajuda? – perguntou se lembrando do que eu havia dito minutos antes.
- Gostaria de saber onde eu poderia comprar meus livros. De preferência um lugar que não seja tão caro assim. – sorri de lado.
- Ah, posso ir com você até o local fica aqui perto. – respondeu sorrindo – Aquilo são cerejas? – apontou para o pote de cerejinhas frescas que havia ali.
-São sim, você aceita? – perguntei educadamente.
- Ah vou aceitar uma sim. – respondeu – Sou apaixonada por cerejas. – disse com os olhos brilhando o que me fez rir. – Você estava chorando? – perguntou colocando uma cereja na boca.
- Estava sim, mas deixa isso quieto. – respondi olhando para as mãos.
- Tudo bem então. Seus pais vieram com você? – perguntou curiosa.
- Não, minha mãe ficou para cuidar de minha irmã mais nova. – respondi.
- Ah sim, entendo. Não tenho mãe nem pai. – respondeu com um tom entristecido.
- Ah, desculpe-me. – respondi.
- Tudo bem, vou sair com uns amigos hoje vamos?
Não estava a fim de sair hoje, mas a mesma convenceu tanto que não pude dizer não. Fomos ao tal lugar para que eu pudesse saber onde estava meus livros e segui para minha casa novamente, já que Julia passaria aqui as 18h00 para que pudéssemos ir ao cinema.

*' Vidas, como vocês estão? Peço desculpas pela demora a postar, estudos tomaram conta de mim durante essas semanas. Comentem aqui embaixo o que estão achando Beijos.

4 comentários:

 



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