domingo, 27 de julho de 2014

Pensei que fosse fácil

          No meu quarto vejo a lua pela janela, o vento bate nas cortinas amareladas fazendo que todas se movessem lentamente. Relembrando momentaneamente tudo que havia se passado naquele dia, ou melhor, em todos aqueles vinte e seis anos que já se passavam.
          Já passei por tantas coisas,  perdi meus dois irmãos quando eu tinha apenas cinco anos de idade e vivenciei a morte de meus pais dolorosamente e lentamente.
          Às vezes bate aquela leve impressão de: "Nada nunca foi justo comigo." O que se esperar de um mundo repleto de covardia, magoas e angustias? Sabe quando a vida te faz pensar em tudo o que fez? Relembrar de momentos ótimos e de repente te jogar em um abismo de tristezas e momentos que jamais deveria se destrancar de dentro de nós.
          Somos covardes para admitir nossos erros, nem todos, mas alguns. Ali observando a janela e o barulho absurdo de carros, ou melhor, buzinas. A cidade? Um caos! Me lembro quando pequena passeando pelas ruas com meu pai agarrada em seu braço e com medo de enfrentar o mundo sozinha. Tive medo, ou seria, receio de tudo começar a dar errado e estar desamparada.
          Aprendi quando perdi todos, que a vida nos faz sair deste mundo de fadas e príncipes encantados e nos faz cair milhões de vezes e não nos fazer levantar.
          Sai de perto da janela assim que deixei sem querer uma folha de papel voar, "Quero tanto vocês de volta" era o que estava escrito. Segui até meu corredor repleto de fotos que eu tinha tirado quando mais nova, a saudade apertou e me senti sozinha como eu me sentia todos os dias. NINGUÉM consegue viver sozinho. Lembro-me bem de quando eu era criança e meus irmãos mais velhos diziam isso para mim, eu tinha apenas cinco anos, mas eu jamais esqueceria as belas palavras ditas por eles.
          "Não damos valor quando temos eles por perto." pensei passando a mão por uma foto empoeirada, olhei fixamente aquela mesma foto.
          Naquele momento senti algo passando pelas minhas pernas, era Bel. Uma gata que encontrei na rua a uns dois meses atrás a mesma tinha acabado de aparecer pela janela e em sua boca um papel.
          "As vezes o mundo nos despenca com coisas que jamais pensamos que fosse acontecer, o vento leva saudades e vagarosamente a trás de volta. O mundo não é injusto, apenas segue seu ritmo, ele não pode parar. As vezes estávamos sozinho sem ao menos ter para onde ir, talvez pensar em coisas que à deixem triste seria algo pior, lembre-se sempre de lembrar de algo que a faça feliz."

6 comentários:

  1. Impressionante como certas histórias,nos faz acordar para aquilo que nos dará mais esperança,a cada dia,a cada minuto de nossas vidas,percebemos que a vida é feita de ilusões,e sonhos constrangidos,mas apesar dessas ilusões,acabamos percebendo de que a vida é como um rio.Que transborda de desgraças e alegrias.E é assim que lhe falo a cada palavra deste conto me faz entender de como você minha cara autora é uma pessoa que entende a vida,mesmo antes dela ter certamente começado .Felicidades!!
    Boa sorte com a imaginação.

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  2. Você escreve muito bem, a cada fexto que você posta, eu fico mais emocionada. Parabéns, continue assim que você vai longe garota. Beeijos! / Manu

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  3. Amggg vc escreve muito bem, eu amo demais seu blog, espero que cada post seu vc consiga impressionar mais e mais as pessoas, pq seu blog é incrível, bjssss da sua best

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