segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

E as pessoas ainda reclamam da vida

  Alguns meses atrás fui em uma palestra com minha mãe, o assunto da palestra era "adolescentes" no inicio achei muito bobo o que ela dizia, confesso. Mas no decorrer da palestra acabei percebendo que tudo o que ela dizia era realmente a verdade, o mundo hoje em dia está de cabeça para baixo, adolescentes se prostituindo, ou seja, está tudo fora do lugar. 
  No decorrer da palestra eu pude observar as pessoas que ali estavam, sentada em minha frente havia uma mulher, aparentemente parecia uma mulher jovem. Fui reparar na roupa que ela usava e no estado em que ela estava. Com o aperto no peito eu pude olhar os pés, a roupa, o sapato, o penteado. Não que isso fosse do meu interesse, mas me bateu desespero em vê-la naquele estado. Os pés estavam com rachaduras, a roupa? Suja, ou posso dizer que ela não tinha dinheiro para comprar alguma roupa. Ela estava usando uma chinela menor que seu pé. O cabelo estava desidratado e armado, como ela não tinha condições financeiras para se arrumar ela simplesmente colocou "piranhas, elástico" para que eles pudesse segurar o volume do cabelo, uma lagrimas caiu sobre meus olhos no meio da palestra vendo a mulher naquelas condições em minha frente, a limpei rapidamente para que ninguém pudesse ver, não que eu estivesse com vergonha, mas eu não me sentiria a vontade se alguém me perguntasse o motivo que eu estava naquele estado. Olhei para os lados e pude avistar pessoas bem vestidas, roupas bonitas, e ela daquele jeito, não que eu estivesse a descriminando pelo seu jeito, mas pude ver a desigualdade social ali e simplesmente não pude falar nada, afinal o que eu iria falar?
  A palestra foi passando, todos olhavam a mulher com admiração, afinal estavam gostando da palestra que ela estava dando. Quando estava distraída, dei uma olhada para a mulher em minha frente novamente, ela tirava um celular que estava em seu colo, o celular não era moderno, mas não estava tão antigo assim. E tirou uma foto da palestrante, aquilo entrou como uma facada em meu peito. Afinal eu pude ver que ela era sim, uma pessoa que passou por muitas dificuldades para chegar ali hoje! 
 Quando eu estava indo embora, a pude ver novamente pela ultima vez, naquela rua escura. Ela não ia embora sozinha, havia com ela ali, varias crianças no minimo umas quatro, se eu não me engano, acredito que seja todos filhos dela. Deixei minha ultima lagrima escorrer ao pensar na possibilidade dela passar fome, e sede e mais alguma coisa, afinal os "filhos", estavam na mesma situação que ela. Ainda me lembro de toda cena mesmo se passando meses, sempre deixo uma lagrima cair ao lembrar dela, mesmo ela nem sabendo da minha existência.
  Depois de tudo que eu vi, e tenho certeza que vocês devem ter visto alguma situação parecida, algum dia na vida de vocês, ainda temos a coragem de dizer "Que vida horrível”, "Gostaria de morrer para ver isso tudo passar", "Odeio minha vida", "Queria sumir". Como temos a coragem de dizer isso? Como conseguimos dizer isso sabendo que tem pessoas passando fome na rua, passando frio, pessoas cheias de doenças talvez até doenças sem cura, e nós aqui reclamando da vida por coisas simples como "Não tenho roupa" Falamos isso sabendo que temos mil roupas dentro do guarda-roupa, vai dizer que nunca disse isso? E pessoas precisando apenas de um par de roupa e nós aqui reclamando com milhares de roupas. "Estou com fome, mas não tem comida", Como assim? Não tem comida? Falamos isso olhando a geladeira cheia de coisa, vai dizer que não? Pessoas passam fome, e nós falamos que não temos comida, acabamos desperdiçando comida. 


                         “Pense no próximo quando estiver reclamando da vida.”

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